Aula 3 - Por que Bitcoin é um dinheiro melhor
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Aula 3 - Por que Bitcoin é um dinheiro melhor?
Na aula anterior você entendeu a história do dinheiro e por que o dinheiro fiat é um cubo de gelo. Agora nesta aula você vai entender como Bitcoin resolve muitos dos problemas milenares que tanto o dinheiro fiat quanto o ouro não resolveram. O primeiro passo pra entender por que Bitcoin é um dinheiro melhor é entender que ele tem propriedades monetárias melhores. A principal delas é preservar valor. Se o dinheiro fiat derrete de valor, Bitcoin é o oposto, ele ganha valor.

Desde seu lançamento em 2009, o Bitcoin teve valorização impressionante. Inicialmente, ele não tinha preço, o seu valor era literalmente zero. No entanto, ao longo dos anos, o Bitcoin acumulou um crescimento superior a 8 bilhões por cento em dólares, entre os anos de 2010 e dezembro de 2024. Em 2024, alcançou a marca de 100 mil dólares por unidade, consolidando sua trajetória volátil no curto prazo, mas de crescimento contínuo ao longo de 15 anos.

O Bitcoin é fundamentalmente diferente das moedas fiat. O termo "fiat" do latim significa "faça-se", é um dinheiro por decreto, adotado de forma artificial, imposto por governos através de leis de curso forçado, e não por suas propriedades monetárias naturais. As pessoas usam moedas fiat porque são obrigadas, enquanto o Bitcoin e o ouro são adotados livremente devido às suas propriedades naturais.
Como mencionei na aula anterior, o ouro possui propriedades atômicas únicas, formadas por processos cósmicos, como choques nucleares durante a formação da Terra. Já o Bitcoin é baseado em propriedades matemáticas que são protegidas por sua estrutura descentralizada. Essa descentralização, tanto no código quanto nos registros, garante que ninguém, por mais poderoso que seja, consiga alterar as propriedades fundamentais do Bitcoin --- assim como ninguém pode mudar as propriedades atômicas naturais do ouro. Mudar o ouro seria recriar qualquer outro metal menos ouro de verdade. A mesma coisa acontece com Bitcoin. É por isso que, apesar de existirem milhões de criptomoedas, nenhuma delas consegue fazer o que Bitcoin faz e chegar perto da relevância que Bitcoin tem.
Por essas razões, tanto o ouro quanto o Bitcoin têm se valorizado ao longo do tempo, enquanto as moedas fiat, que dependem de decisões políticas e econômicas arbitrárias, perdem valor constantemente.

Os Bancos Centrais justificam a existência das moedas fiat e suas políticas monetárias alegando que servem para "controlar a economia e garantir estabilidade financeira". Só que a realidade mostra outra história. Desde 1971, quando o padrão-ouro foi abandonado, enfrentamos crises econômicas globais e locais recorrentes. O Banco Central, na prática, não consegue sequer proteger o valor da moeda, o que deveria ser sua principal responsabilidade.
Muitos economistas e investidores críticos do Bitcoin argumentam que ele é muito volátil para ser considerado dinheiro. Mas esquecem que as moedas fiat também são extremamente voláteis, só que de forma diferente. A chamada "estabilidade" das fiat é uma ilusão, pois elas perdem valor constantemente ao longo do tempo. Já o Bitcoin, apesar da sua volatilidade, tem apresentado um aumento significativo de valor e poder de compra ao longo dos anos.
Por exemplo, o real, moeda brasileira, perdeu 87% de valor desde o Plano Real, e o dólar, a moeda americana, perdeu 97% de valor desde sua criação em 1913. Em contrapartida, o Bitcoin valorizou cerca de 8 bilhões por cento desde que foi criado, em 2009. Em apenas 16 anos, o Bitcoin protegeu e ampliou o poder de compra de forma mais eficaz do que qualquer moeda nacional.
Isso acontece porque o Bitcoin tem propriedades monetárias superiores. Assim como o ouro foi historicamente adotado como dinheiro por diversas civilizações por causa das suas propriedades monetárias, o Bitcoin apresenta características ainda mais robustas como dinheiro.

Esta imagem apresenta as principais características que definem um bom dinheiro, ou seja, um dinheiro com propriedades monetárias fortes. Essas características são:
Durabilidade
Divisibilidade
Fungibilidade
Portabilidade
Verificabilidade
Escassez
Aceitação

A primeira característica é a durabilidade. Um bom dinheiro deve resistir ao desgaste e à passagem do tempo, garantindo sua utilidade como meio de troca e reserva de valor sem se deteriorar.
As moedas fiat são dinheiro em papel não durável. Ele pode amassar, molhar, rasgar e se deteriorar rapidamente. Os Bancos Centrais gastam milhões de dólares regularmente para substituir notas danificadas por novas. Além disso o dinheiro fiat como rede depende de Bancos Centrais que podem mudar as regras de cada moeda localmente. Ou seja, mesmo que governos criem moedas digitais, elas não terão propriedades monetárias duráveis e imutáveis no longo prazo.
O ouro é naturalmente durável, porque não enferruja nem se degrada. Por outro lado, por ser um bem físico, pode sofrer algum desgaste com o tempo.

Já percebeu como as moedas de ouro antigas tem as bordas irregulares? Isso acontece porque as moedas de ouro sofrem desgaste e isso degrada o valor original cunhado na moeda. Acaba perdendo a quantidade de ouro que estava estabelecida na face.
Já Bitcoin é extremamente durável, pois é digital. Não existe desgaste físico e, enquanto houver um node rodando e processando a rede, ele continua existindo. Além disso, a rede Bitcoin é altamente resiliente. Em 16 anos de existência, enfrentou ataques constantes, mas segue funcionando de forma ininterrupta sendo a rede mais segura e poderosa em termos de computação no mundo. Por isso Bitcoin é mais durável como moeda e resistente como rede do que o dinheiro fiat ou o ouro.

A divisibilidade é a capacidade do dinheiro ser dividido em unidades menores, permitindo transações de qualquer valor. Isso é essencial para facilitar o uso tanto em grandes negociações quanto em compras do dia a dia. Um exemplo prático: uma casa não pode ser considerada dinheiro porque não é facilmente dividida em partes menores, por isso casas não são dinheiro, são ativos ou passivos que valem um montante em dinheiro.
O dinheiro fiat é altamente divisível, podendo ser fracionado em centavos, o que facilita seu uso em transações de diferentes valores.
O ouro é divisível em unidades como onças de ouro, o que permitiu o uso como dinheiro no passado. Só que o ouro tem limitações para microtransações, o que levou as moedas fiat a substituírem o ouro como padrão monetário devido à sua maior divisibilidade e portabilidade.
Já Bitcoin é ainda mais divisível que fiat, podendo ser fracionado em até 8 casas decimais. A menor unidade do Bitcoin é chamada de satoshi, o que permite sua utilização em transações de qualquer valor, incluindo microtransações. Isso faz do Bitcoin um dinheiro ultra divisível. Vamos então entender como isso funciona.

Com o dólar ou o real, você precisa de mais notas com o passar do tempo, porque essas moedas perdem valor, certo? Com o Bitcoin, acontece o oposto: conforme ele se valoriza, você precisa de menos unidades para comprar as mesmas coisas. É por isso que o Bitcoin é extremamente divisível, ele tem várias casas decimais, para facilitar a precificação de bens e serviços à medida que frações menores dele são usadas.
Um Bitcoin inteiro é formado por 100 milhões de satoshis, sendo o satoshi a menor unidade do Bitcoin. Para entender melhor, imagina que um Bitcoin é como uma pizza que pode ser cortada em 100 milhões de fatias. Quando você compra 50, 100 ou 1.000 reais, euros ou dólares em Bitcoin, na verdade, está comprando milhares de satoshis.
Um satoshi equivale a 0,00000001 BTC (sete zeros antes do número 1). Por outro lado, 1 Bitcoin é igual a 100 milhões de satoshis, assim como 1 real é composto por 100 centavos.
Atualmente, um satoshi vale menos de um centavo de real, cerca de 0,001 décimo de centavo. No futuro, à medida que o Bitcoin continuar se valorizando e o real se desvalorizando, é possível que um satoshi passe a valer o mesmo que um centavo ou até mesmo que um real. Isso reflete a força do Bitcoin como reserva de valor e meio de troca. Conforme ele vai absorvendo valor fica mais fácil precificar produtos e serviços.

Fungibilidade é a propriedade de um dinheiro em que todas as suas unidades são equivalentes e podem ser trocadas entre si, independentemente de sua origem ou histórico. É a propriedade que garante que o dinheiro será aceito universalmente, sem discriminação entre unidades.
As moedas fiat não são completamente fungíveis. Por exemplo, 1 real não é igual a 1 dólar e as moedas de diferentes países não são intercambiáveis. Embora dentro de um país uma nota de 10 reais seja igual a outra de 10 reais, o dólar, por exemplo, não é aceito como moeda corrente em todos os países. Isso sem contar nas diferenças entre cotações em países com inflação alta, como na Argentina que tinha a cotação "dólar blue" e a cotação oficial do governo que era defasada em valor. Ou seja, em momentos de crise a moeda fiat perde fungibilidade.
O ouro é altamente fungível. Uma onça de ouro puro é sempre igual a outra onça de ouro puro, independentemente de onde você esteja no mundo. Isso o torna mais fungível do que as moedas fiat.
O Bitcoin também é fungível. Um Bitcoin é igual a qualquer outro Bitcoin, independentemente de onde ele tenha sido transacionado ou de seu histórico. Essa característica é essencial para sua aceitação global como dinheiro digital, afinal a rede Bitcoin não discrimina, um bitcoin é sempre igual a um bitcoin para a rede.
(slide 60)[https://github.com/areabitcoin/Bitcoin-4-All/blob/a41cf50458ad061603d4415ea6003ca1f12378ad/Bitcoin%204%20All%20-%20Portuguese/Slides/AULA%203/Sem%20ti%CC%81tulo-10-10.jpg] Portabilidade é a capacidade do dinheiro de ser facilmente transportado e armazenado, permitindo transações em diferentes lugares e situações.
Embora moedas e pequenas quantidades de ouro sejam portáteis, grandes volumes, como milhões em barras de ouro, são pesados e caros de transportar e armazenar. Para movimentar barras de ouro entre países, é comum que os bancos centrais precisem derreter as barras para verificar sua autenticidade. Além disso, o transporte envolve altos custos com logística e segurança.
O dinheiro fiat é mais portátil que o ouro. Notas de papel ou moedas metálicas são leves e fáceis de transportar. São como contratos com valor atribuído, representado de forma física. Isso sem contar que o dinheiro fiat tem se digitalizado e tem ficado ainda mais portátil.
Já o Bitcoin supera todos nesse aspecto. Por ser digital, ele não pesa, não ocupa espaço físico e pode ser transportado globalmente em questão de segundos. Seja uma pequena fração ou bilhões de dólares em Bitcoin, o transporte é igualmente rápido, seguro e absurdamente mais barato que qualquer outra forma de transportar valor. É a forma mais portátil de dinheiro já criada, porque além de ser digital e não pesar, ele não depende da permissão de ninguém para transitar entre fronteiras.

A portabilidade é um grande desafio para ativos analógicos, como imóveis ou commodities. Por exemplo, você não pode mover um terreno de lugar e, mesmo uma casa, só poderia ser transportada com grande esforço e é um processo caro, como mostrado na imagem à esquerda.
Com o ouro, a situação também é complicada. Você não pode transportar em um avião sem informar a terceiros que está carregando essa riqueza, o que compromete a privacidade, envolve burocracia e mais gastos com taxas.

Bitcoin, por outro lado, é incomparável em portabilidade. Por ser nativamente digital, ele pode ser transportado de forma instantânea, sem depender de intermediários ou processos complicados e caros.
Essa postagem do Tuur Demeester demonstra muito bem a grande diferença de portabilidade. Equanto $1.5 bilhão em barras de ouro ocupam uma sala inteira e uma estrutura de segurança cara, os mesmos $1.5 bilhão em bitcoin são pura informação e cabem em um pedaço de papel ou em alguns bytes de informação. É o dinheiro e ativo mais portátil do mundo.

Verificabilidade é a facilidade com que o dinheiro pode ser identificado e autenticado como legítimo. Essa propriedade é fundamental para evitar fraudes e falsificações. Quanto mais simples e confiável for o processo de verificação, mais barato e prático é usar o dinheiro como reserva de valor e meio de troca.
O dinheiro fiat é relativamente fácil de falsificar, tanto que notas falsas circulam frequentemente no mercado. Isso obriga comerciantes e consumidores a aprenderem técnicas básicas de identificação, como verificar marcas d'água ou elementos de segurança nas notas.
No caso do ouro, a verificabilidade é ainda mais complexa. Práticas como morder o ouro para verificar sua autenticidade, observando se ficava uma marca no metal, eram bem comuns no passado, mas rudimentares. Métodos modernos, como testes químicos ou de densidade, ainda são necessários, o que torna o processo caro e demorado.
A facilidade de verificar a autenticidade de um dinheiro é essencial para garantir confiança e eficiência no uso do dia a dia.

Mesmo o ouro pode ser falsificado e isso revela limitações importantes na sua verificabilidade. Existem vários exemplos de fraudes envolvendo ouro, como por exemplo barras de ouro adulteradas. Algumas barras armazenadas até mesmo em cofres de bancos centrais foram encontradas com tungstênio no núcleo e revestidas apenas com uma camada de ouro puro. Moedas folheadas a ouro e joias feitas com ligas metálicas de baixa qualidade também são exemplos de falsificação.
Como comentei, verificar a autenticidade do ouro é caro e complicado. O processo frequentemente exige equipamentos especializados e certificados emitidos por terceiros de confiança. Isso deixa o processo burocrático e dificulta o uso como dinheiro, especialmente em grande escala.
Essas limitações tornam o ouro menos eficiente em verificabilidade quando comparado com o Bitcoin, porque a autenticidade do Bitcoin pode ser comprovada instantaneamente por qualquer pessoa usando o aplicativo de uma carteira ou um software conectado à rede.

Bitcoin é extremamente fácil e barato de verificar, graças à natureza digital e descentralizada dele. Diferente de outros tipos de dinheiro, não há espaço para falsificações. Não é possível enviar ou receber "Bitcoin falso", porque a rede valida todas as transações antes de confirmar cada uma delas. Se alguém tentar enviar uma "transação falsa", ela simplesmente não vai ser propagada.
E a verificação é global. Com um simples comando no computador, qualquer pessoa pode verificar a autenticidade não apenas de um único Bitcoin, mas de todas as moedas já existentes na rede. Isso inclui a oferta total de Bitcoin e a taxa de emissão de novas moedas, garantindo transparência absoluta do sistema como um todo.
Essa transparência radical é algo que nunca foi oferecido por nenhum outro sistema monetário na história. Todos os participantes têm acesso às mesmas informações sobre o estado da rede, eliminando a necessidade de confiar em intermediários ou instituições centralizadas. Não existe assimetria de informação na rede Bitcoin, os registros são públicos e verificáveis por qualquer um.

Escassez é a propriedade que define a dificuldade de criar novas unidades de dinheiro e essencial para proteger o valor ao longo do tempo.
Moedas fiat não são escassas. Bancos centrais podem imprimir dinheiro ilimitadamente, o que muitas vezes resulta em inflação, desvalorização e perda de poder de compra. Essa falta de escassez é uma das principais fraquezas do dinheiro fiat.
O ouro é relativamente escasso porque sua extração depende de processos físicos e recursos limitados na Terra. Porém, ainda assim, a descoberta de novas jazidas ou avanços tecnológicos podem aumentar a oferta de ouro ao longo do tempo, o que reduz a previsibilidade e a escassez em comparação com o Bitcoin.
A escassez é um fator crucial para determinar a resistência de um dinheiro à inflação e sua capacidade de preservar valor.

Por mais que seja extremamente difícil e caro produzir ouro em laboratório, a oferta global de ouro continua a crescer por conta da descoberta constante de novas jazidas. Avanços na mineração e na tecnologia permitem a extração de ouro em locais antes inacessíveis, o que aumenta gradualmente a quantidade de ouro disponível no mercado.
Essa imprevisibilidade na oferta do ouro significa que ele não é absolutamente escasso. Isso diferencia o ouro do Bitcoin, que tem sua oferta fixa e conhecida desde o início, e é ainda mais previsível como reserva de valor.

Além das jazidas terrestres, novas fronteiras para a mineração de ouro estão sendo exploradas, como a mineração em asteroides e a mineração oceânica. Essas tecnologias futuristas buscam extrair recursos de locais que antes eram inacessíveis.
Alguns asteroides contêm grandes quantidades de metais preciosos, incluindo ouro. Empresas espaciais já estão desenvolvendo tecnologias para explorar esses recursos no futuro. O fundo do mar também é uma fonte potencial de ouro e outros metais valiosos e já existem projetos em andamento para viabilizar a extração desses depósitos submersos.
Embora essas tecnologias ainda estejam em estágios iniciais, elas representam a possibilidade de expandir significativamente a oferta de ouro no futuro e reduzir constantemente a escassez.

Reportagens como essa mostram que existem asteróides repletos de metais preciosos, incluindo ouro, com valores estimados em 100 mil quadrilhões de dólares. Se a mineração espacial se tornar viável, isso poderia eliminar completamente a escassez do ouro, uma de suas principais propriedades monetárias.
Se o ouro se tornasse abundante, ele perderia sua capacidade de atuar como uma reserva de valor confiável. Nesse cenário, seu uso seria limitado a funções mais específicas, como na fabricação de joias, onde seu brilho e beleza continuam sendo valorizados, ou em aplicações industriais, como na produção de chips eletrônicos, graças à sua excelente condutividade.

A mineração oceânica está se tornando outra grande fronteira tecnológica, com países como a Noruega já explorando a viabilidade de extrair ouro e outros metais preciosos dos fundos oceânicos. Só que esse tipo de mineração está gerando intensos debates com ambientalistas, que alertam para os impactos ecológicos dessa atividade.
Ainda que a mineração oceânica enfrente desafios técnicos e éticos, é provável que, com o tempo, os avanços tecnológicos tornem essas operações viáveis. Esse cenário reforça a fragilidade do ouro como reserva de valor a longo prazo conforme a tecnologia avança.

Diferente do ouro, o Bitcoin não depende de fatores externos para manter a escassez. A oferta máxima de 21 milhões de unidades é fixa e programada desde o início. Nenhuma inovação tecnológica ou descoberta futura consegue aumentar a oferta de Bitcoin sem que haja consenso na rede.
Isso significa que Bitcoin é matematicamente escasso. Essa equação reflete como a oferta do Bitcoin é calculada e como ela tende a se tornar cada vez mais limitada com o tempo. Na próxima aula sobre os halvings você vai entender essa equação em detalhes, mas o ponto principal é que o Bitcoin é absolutamente escasso, enquanto outros tipos de dinheiro, commodities ou ativos são apenas relativamente escassos.
A escassez do ouro é baseada em estimativas estatísticas e dados limitados, sujeitos a mudanças com a descoberta de novas jazidas ou avanços na mineração. Isso inevitavelmente aumenta a oferta do ouro ao longo do tempo. Já o dinheiro fiat pode ser impresso indefinidamente pelos bancos centrais, eliminando qualquer noção de escassez.
No caso do Bitcoin, a oferta é inalterável. É possível prever com exatidão, décadas antes, como a emissão de novos bitcoin vai acontecer, algo que nenhuma moeda ou ativo tradicional consegue oferecer. Essa transparência e previsibilidade secular tornam o Bitcoin muito mais confiável e estável como reserva de valor.

Em 2024, o Bitcoin se tornou oficialmente mais escasso que o ouro, de acordo com a métrica stock-to-flow (S2F). Essa métrica é usada para medir a escassez de um ativo, calculando a proporção entre o estoque total disponível (stock) e a quantidade produzida anualmente (flow). Ativos com um S2F alto, como é o caso do ouro e do Bitcoin, tem uma oferta limitada, o que torna eles mais valiosos porque são mais difíceis de criar novas unidades.
No caso do ouro, sua escassez relativa está vinculada à sua produção anual, que depende de fatores como mineração terrestre e a possibilidade de mineração oceânica ou espacial no futuro. Já o Bitcoin é programado para se tornar cada vez mais escasso com o passar do tempo, graças aos halvings, que reduzem pela metade a emissão de novos bitcoins a cada quatro anos. Esse processo garante que, ao longo dos anos, a oferta de novos bitcoin diminua drasticamente, aumentando sua relação stock-to-flow.
O Stock To Flow elevado do Bitcoin sugere que ele tem um enorme potencial para continuar se valorizando à medida que a demanda por um ativo verdadeiramente escasso aumenta.

Em resumo, a escassez do Bitcoin tende a ser cada vez maior ao longo do tempo, enquanto o ouro e outros ativos tendem a ficar menos escassos. Já o dinheiro fiat não é nada escasso, por isso tem derretido de valor em todos os países no padrão fiat atual.

A última propriedade monetária é a aceitação, que mede o nível de adoção e o quanto as pessoas reconhecem algo como dinheiro. No caso das moedas fiat, a aceitação é limitada. Cada país tem sua própria moeda e ela nem sempre é reconhecida ou aceita fora de suas fronteiras. Isso cria barreiras em transações internacionais, dificultando a universalidade do dinheiro.
O ouro, por outro lado, já teve ampla aceitação no passado e se consolidou como um dinheiro sólido ao longo da história. Até hoje, é reconhecido globalmente como uma reserva de valor, por mais que seu uso como meio de troca tenha diminuído com o surgimento das moedas fiat.
O Bitcoin ainda está em processo de aceitação. Ele não é amplamente reconhecido como dinheiro ou reserva de valor por todas as pessoas, empresas e países. Só que esse cenário está mudando. Nos últimos anos, governos, grandes empresas e investidores começaram a adotar o Bitcoin e a reconhecer ele como uma forma legítima de ativo ou dinheiro digital. Embora ainda não seja uma unanimidade global, isso não significa que nunca vai ser.

O Bitcoin tem avançado significativamente na curva de adoção e a curva de Lindy ilustra bem os estágios que um dinheiro percorre até se tornar um padrão global. Esse modelo explica como o Bitcoin está evoluindo:
No início, o dinheiro nasce como um colecionável, algo que poucas pessoas valorizam ou acumulam por curiosidade ou visão de futuro.
Com o tempo, ele se consolida como uma reserva de valor, sendo reconhecido como uma forma confiável de preservar riqueza.
O próximo estágio é ser usado como um meio de troca, facilitando transações cotidianas.
O estágio final acontece quando as pessoas começam a precificar bens e serviços diretamente em Bitcoin, indicando que ele se tornou um padrão monetário global.
Esse gráfico mostra que, embora o Bitcoin ainda esteja longe de ser um padrão global, ele já avançou consideravelmente. O marco recente de atingir 100 mil dólares é um reflexo da crescente aceitação como reserva de valor. Governos e instituições ao redor do mundo estão começando a reconhecer seu potencial.
O ponto crucial é que ainda estamos em um estágio inicial dessa revolução tecnológica e monetária. A grande oportunidade do século é a possibilidade de acumular e se envolver com Bitcoin agora, enquanto sua adoção global está apenas começando.

O Bitcoin é um dinheiro superior porque seu poder de compra aumenta ao longo do tempo, enquanto o oposto acontece com o dinheiro fiat. Com moedas fiat, como o real, pesos ou o dólar, o valor diminui constantemente devido à inflação e à impressão de dinheiro. Isso significa que as mesmas notas compram cada vez menos bens e serviços com o passar dos anos. Ou seja, perdem função como dinheiro.
Já o Bitcoin segue um caminho inverso. Sua oferta limitada e programada em 21 milhões de unidades faz com que, à medida que a adoção cresce e a demanda aumenta, seu valor e poder de compra também aumentam. Historicamente, quem guardou Bitcoin viu seu poder aquisitivo crescer, diferente de quem manteve suas economias em moedas fiat, que perdem valor continuamente. Bitcoin está ganhando função como dinheiro.
Essa diferença reflete uma das principais vantagens do Bitcoin: ele é um dinheiro projetado para valorizar e proteger o poder de compra de seus usuários ao longo do tempo, algo que o dinheiro fiat, por sua natureza inflacionária, nunca conseguiu oferecer.

O próprio ouro está sendo gradualmente desmonetizado pelo Bitcoin. Quando precificado em Bitcoin, o ouro perdeu praticamente 100% do seu valor. Isso nos mostra como o bitcoin está substituindo o ouro como reserva de valor mais antiga do mundo.
Mas Bitcoin vai além, ele não é apenas uma evolução do ouro como reserva de valor, ele é um dinheiro superior por ter propriedades monetárias muito melhores que o ouro. Enquanto o ouro enfrenta limitações como portabilidade, divisibilidade e verificabilidade, o Bitcoin supera todas essas barreiras com sua natureza digital, escassez absoluta programada e facilidade de transferência e armazenamento. Bitcoin é um dinheiro melhor.

Outro ponto importante desta aula é que Bitcoin é um dinheiro melhor porque é um dinheiro mais justo.

O dinheiro fiat sofre de um fenômeno chamado Efeito Cantillon, descrito por Richard Cantillon em 1730 no livro "O Efeito Cantillon". Esse conceito ilustra como aqueles que estão mais próximos da fonte de criação do novo dinheiro se beneficiam desproporcionalmente, enquanto os mais distantes são prejudicados.
No passado, a criação de dinheiro era controlada pelos reis, que distribuíam o dinheiro primeiro para duques, nobres e outros aliados próximos. Esses "amigos do rei" usavam o dinheiro novo para adquirir bens e ativos como cavalos, casas e ouro. À medida que o dinheiro recém-criado circulava pela economia, ia gerando aumento de preços. Quando finalmente chegava nas mãos das pessoas comuns, os mais pobres, o poder de compra já estava profundamente corroído. E assim, as pessoas no final da cadeia de circulação eram sempre as mais prejudicadas. O dinheiro que chegava nelas já estava defasado e seu valor real era muito menor.

No mundo moderno o dinheiro ainda segue o mesmo fluxo observado nos tempos dos reis, mas com personagens atualizados. Agora, os bancos centrais criam dinheiro e os primeiros a receber são os grandes bancos e as corporações. Esses atores usam o dinheiro recém-criado para investir ou recomprar seus próprios ativos, como ações. Em seguida, o dinheiro é direcionado para pagar executivos, diretores e outros setores mais próximos. Por último, ele chega aos funcionários e clientes da base econômica.
Esse fluxo explica porque quem recebe o dinheiro primeiro consegue proteger melhor seu poder de compra: eles têm acesso ao dinheiro antes que os preços subam. Por outro lado, quem está no final da fila, geralmente a população mais pobre, sofre as consequências. Quando o dinheiro finalmente chega neles, os preços dos bens, serviços e ativos já aumentaram, tornando tudo mais caro e inacessível.
O Efeito Cantillon expõe essa dinâmica injusta. Quanto mais próximo você está da "impressora de dinheiro", mais você se beneficia dela e sofre menos impacto da diluição e desvalorização causada pelo dinheiro recém-criado. Enquanto isso, as pessoas mais pobres são as mais prejudicadas. Elas recebem o dinheiro já desvalorizado e enfrentam preços elevados, inclusive nos ativos que poderiam proteger elas, como imóveis ou investimentos. Esses ativos já tiveram uma injeção de capital nas etapas anteriores, se tornam ainda mais caros e inacessíveis para quem está no fim da fila do dinheiro novo.
Esse efeito é perverso porque aprisiona as pessoas em um ciclo vicioso de desvalorização e empobrecimento. Muitas sentem que trabalham incansavelmente, mas não conseguem acumular riqueza, já que o valor de seus ganhos é constantemente corroído. Isso explica por que a maior causa da pobreza e desigualdade no mundo hoje está relacionada à forma como os bancos centrais e governos lidam com o dinheiro e suas políticas monetárias.
Esses mesmos bancos centrais e governos têm o poder exclusivo de imprimir dinheiro e desencadear essa cascata de eventos, que beneficia bancos e corporações fiat e penaliza a maioria da população, perpetuando o abismo econômico.

O Bitcoin inverte o Efeito Cantillon porque não depende de impressoras controladas por governos ou bancos centrais. Não tem como imprimir mais Bitcoin e diluir a oferta circulante. Invertendo a lógica fiat, ele acaba gerando mais valor para quem está mais longe das impressoras: primeiro para as pessoas comuns, que começaram a acumular Bitcoin individualmente, depois para empresas, mais tarde para bancos e corporações e, só recentemente, para os governos, que estão começando a reconhecer a importância e finalmente "dando o braço a torcer" para o Bitcoin.
Essa dinâmica é revolucionária, porque redistribui o poder econômico organicamente. Conforme o Bitcoin se valoriza, ele oferece uma alternativa ao sistema tradicional, libertando as pessoas do ciclo vicioso de desvalorização das moedas fiat, a chamada "roda dos ratos", onde se trabalha incansavelmente só para manter o poder de compra em um sistema apoiado no roubo inflacionário.
Ao acumular Bitcoin, as pessoas se tornam menos dependentes do dinheiro controlado por governos e bancos centrais. O Bitcoin representa uma forma de preservar riqueza que empodera indivíduos e não os cantilionários que se beneficiam pela proximidade com bancos centrais e governos. É uma uma rota para escapar das armadilhas econômicas impostas pelo sistema fiat.

O histórico de distribuição do Bitcoin reflete tudo isso. Praticamente 70% dos bitcoin estão nas mãos de indivíduos, mostrando que a maioria das pessoas comuns são as principais detentoras; 3,9% estão com empresas e negócios que usam ou investem em Bitcoin; 5,9% estão em ETFs e fundos, representando a entrada de instituições no ecossistema; 1,5% pertencem a governos, que só agora começam a reconhecer o Bitcoin; 7,5% estão perdidos devido a pessoas que não cuidaram bem de suas chaves privadas; 4,6% estão em endereços pertencentes a Satoshi Nakamoto, que nunca movimentou ou vendeu seus saldos, mantendo essas moedas fora de circulação e 5,8% ainda restam para ser minerados e serão distribuídos gradualmente até o ano de 2140.

O Bitcoin é um dinheiro mais justo porque a oferta não pode ser manipulada. É impossível "imprimir" mais bitcoin. Desde sua criação, a política monetária do Bitcoin é transparente e previsível, com todos sabendo exatamente como e quando os novos bitcoin seriam emitidos, antes mesmo do primeiro bloco ser minerado.
A criação do Bitcoin foi acessível e justa. Qualquer pessoa pode se conectar à rede. Diferente de qualquer outro sistema monetário criado, o Bitcoin não depende de intermediários, não favorece elites próximas ao poder e oferece uma alternativa mais justa para indivíduos em qualquer lugar do mundo. As regras são claras, previsíveis e iguais para todos. Todos seguem as mesmas regras, sem exceção.

O Bitcoin é incrivelmente poderoso porque tem o maior efeito de rede global já visto. Ele é uma rede monetária global independente, sem controle de nenhum país ou governo. Nenhum governo ou entidade pode monopolizar, censurar ou proibir completamente o Bitcoin, porque ele é descentralizado e sustentado por uma infraestrutura global de usuários, mineradores e verificadores independentes.
O efeito de rede do Bitcoin é incomparável, superando qualquer rede monetária do passado ou do presente. Quanto mais pessoas e iniciativas adotam o Bitcoin, mais forte e valiosa a rede se torna, criando um ciclo de crescimento exponencial resistente a interferências externas. Essa combinação de independência e efeito de rede faz do Bitcoin uma revolução do dinheiro. É muito mais robusto e resiliente do que qualquer sistema monetário já criado. É por isso que Bitcoin é um dinheiro melhor, porque ele não é só dinheiro, ele é um sistema financeiro superior.

O Bitcoin é um sistema financeiro superior porque une tudo em um só lugar, sendo 3 em 1. Diferente do dinheiro fiat, que é fragmentado, com cada país tendo sua própria moeda, o Bitcoin é universal. No sistema fiat, os bancos comerciais controlam o acesso ao dinheiro e agem conforme seus próprios interesses, enquanto os bancos centrais definem as políticas monetárias e distribuem a moeda por meio dos bancos. Com o Bitcoin, tudo isso é integrado em uma rede única, global e independente de intermediários.
Então Bitcoin é melhor nessas três funções.

Bitcoin é um dinheiro que não derrete de valor, pelo contrário ganha, trazendo mais prosperidade para todos. Bitcoin tem uma rede monetária sem depender de banco nenhum, sem agencias, sem gerente, sem solicitar nenhum dado pessoal. É só baixar uma carteira que você pode receber bitcoin de qualquer lugar do planeta sem barreira nenhuma. E Bitcoin é melhor que qualquer banco central porque dá mais previsibilidade, transparência e garantia de preservação de riqueza e propriedade que qualquer banco central jamais deu. Por isso Bitcoin não só é um dinheiro melhor, mas um sistema monetário melhor e mais justo globalmente. Beneficia a todos os países e não apenas a quem tem a moeda reserva de valor vigente.

Bitcoin é um dinheiro independente, uma rede financeira independente e tem uma politica monetária independente, imutável e sem fronteiras.
É por tudo isso que Bitcoin está tendo cada vez mais adoção e deve continuar tendo, retroalimentando todas as suas propriedades monetárias que falamos aqui nessa aula.
Na próxima, vamos entender o funcionamento do Bitcoin no detalhe e você vai olhar por dentro do protocolo. Vamos mergulhar em como funciona mineração, blockchain, os halvings, nodes e muito mais. Até lá.
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